27 de outubro de 2011

24 de outubro de 2011

daqui de baixo

daqui de baixo é mais difícil profetizar, onde a subjetividade é travestida de repúdio.

a pessoa não te ouve, paira sem relutância sob a primeira instância e diz ser esta a melhor providência a tomar. eu observo; não queira abismar-se pela falta de consenso. a pessoa é assim - enche os ouvidos de cera e se põe à distância longínqua e perene - talvez, porque recusa ser profética. tudo está nos conformes e não há berço que balança fugaz e açoito para trazer as revoluções, a queda da bastilha, as cruzadas e o início dos mandamentos, ao abandonar o conforto do braço intermitente, e do corpo que cai na esplêndida violência.

daqui de baixo é diferente; é mais difícil atribuir minha sanidade ao muito vestígio da carne, que não sombreia e queima escarlate na madrugada afora, comungando o desejo não visto e aquele que não consegue ver. daqui de baixo as leis são diferentes, quando no descaso a vil derrota, amorfa, beira o precipício dos muitos corações, e adentra em fogo cruzado a depressão, legítima, quando se tenta aprontar-se à mansidão. a pessoa é assim, responde mas não compensa, e no percalço da flâmula que mais tarde incendeia a alma insana - selvagem - muquirana, o herói se deita na contrapartida das demoras. ele não pode muito para com isto, pois é simplesmente muita coisa.

no país estrangeiro e no exterior imenso troco minha pura discrição por uma dúbia palavra que jamais se cala, mas vocifera o cristo e os amores. no horizonte teórico tudo está muito simples, não tenho cartas respondidas, não tenho deserto que se abençoa com as chuvas e os mares, nem paixão realista na prontitude dos céus de muitas nuvens, quando esta, indiscretíssima, mimetiza-se nos braços do silêncio. daqui de baixo a primeira regra de ouro é voar adentro, medindo a consequência do mártire e do sacrifício que alavanca a vasta dor, p'ra depois conter-se na amplidão das injustiças e das esquivas do sermão. é p'ra fazer chorar, quando a pele se extermina. daqui de baixo, de fato, não é tão difícil se perder, pois é simplesmente muita coisa.