sou péssimo para demonstrar o que sinto, e quando o faço, tropeço e m'embrulho todo. sou um homem de bloqueios, mas p'ra você não o sou pois sei que nesta alma mora amor maior que tudo. ocorre natural. é compreensão que fita os olhos e as palavras que - ditas e não ditas - entregam-se à dedicação e o afeto destes muitos anos, desde o ventre até a auréola que paira na cabeça. por Deus, queiramos sempre o bem para convosco, e para os vários dentro de nós - também pai e filho - queiramos a serenidade diante do tempo. tempo este que evanesce o brilho do olho, mas também nos dá livre arbítrio para sabermos o que queremos, e temperança para aceitar quem verdadeiramente somos - mesmo ao outorgar dos fatos que nos entristecem, mesmo na brancura das ações que remoem nosso bem para sempre exposto. encaremos com fé esta vida que é de todos, de frente e com destreza na contrapartida do adeus ao nosso homem. é uma despedida muda, eu sei, pois sabemos que o melhor adiante é a paz que jaz em nossos corações. é definitivo, eternamente tenho e terei você aqui comigo. você é a minha mãe, minha criadora, e eu, a extensão do seu sangue e do que muito você é.
entendamo-nos então, peixes das águas de março: bagre e peixe-pedra, arraia e moreia.
feliz aniversário e muitos anos à frente.
sereia de papel
12 de março de 2013
30 de dezembro de 2012
goodbye aretha, i'm going to die tomorrow
veio uma chuva rápida, que não serviu nem para adentrar o solo.
eu estrago tudo por amar demais. talvez eu mereça punição.
eu estrago tudo por amar demais. talvez eu mereça punição.
18 de novembro de 2012
pequenina tortura
('tou tentando fluxo de consciência... fazendo pequenas pausas "seculares" pro trago do cigarro. vamos ver no que vai dar.)
esperar pelo incerto é estarrecedor, ainda mais quando você é cravado pela vontade mórbida de acreditar na possibilidade limpa e branca, mesmo trabalhando aos campos da suposição. não se sabe ao certo quando o coração pode ser compreendido, não há tempo programado p'ra permanência jazer na brandura que abraça afável. com braços esbranquiçados e tortos, penso em mais tarde deixar aos ventos o que muito quis. é simplesmente muita coisa p'ra pensar, talvez muita coisa p'ra engolir com destreza tudo de uma vez. será mesmo que almacorpoecoração é vítima párea p'ro que tanto a tirania quis um dia me socar com ferrenho punho? já tinha dito uma vez que não sou esta potência, ao mesmo tempo em que se fazer de vítima é um tanto perturbador. não que eu aceite como um bom samaritano minha virtude suprema diante das coisas, e não que se debruçar com olhos de gato sob a superfície das relações humanas seja um misto vazio e mundano. eu simplesmente não tenho força. talvez esta seja o contrário da falácia que responde ao meu âmago um grito estarrecedor. não tendo a organizar com clareza as muitas coisas quando o coração está mais longe da plenitude do que todo o resto. e afinal, o resto é p'ra se guardar quando açoito o sentimento desiste de si? as palavras doem mais do que qualquer outra coisa, não sou de corpo, não sou o fluxo carnal do muito ser que vibra ao toque na pele. além do mais, o ser humano é falho (p'ra cacete). na procura do que poderia mesclar toda a razão com o sentido supremo do que é fazer-se por onde, enxergo com clareza. a irmandade é capciosa, é uma prosa mal feita que derrota o vigarista, mas não o mata. ela o deixa sangrar até aprender que mãos abertas demais um dia serão atadas. fito com olhos de águia a claraboia, a "clepsidra membranosa" no pântano das muitas coisas. tudo está uma bagunça, tudo não está no seu devido lugar até porque se o ocorrido fosse fato presunçoso face à minha face, eu morreria num vazio abrupto que busca desesperadamente verdadeira mansidão. bate-me uma vontade de gritar cristo por compaixão, ao mesmo tempo em que me bate a lógica de não lhe demandar nada por nada, pois a vida - tão filhadaputamente mais insana e muquirana do que meu outro lado - é dona de si e dona de todos. aceitar este fato é consumo diário p'ro óbvio sentar à sua mesa, cravando a garra autoritária na merdinha que o destino lhe oferece quando a sorte sorri face à sua. morder-se pela tristeza das coisas é pertinente, tenaz, pleonasmo, casa do caralho. o homem age conforme seu interesse e indubitavelmente reage conforme seu esclarecimento. fito mais uma vez com olhos de águia a claraboia, a "clepsidra membranosa". os meses da chuva estão vindo, não há ninguém ("fazer o quê"), o banco está vazio, surpreendi-me pela minha própria criação e a incerteza de um beijo par, enquanto irrito-me com minha sonhadora esperança que última morrerá. eles ainda guardam as rosas; posso ser lembrado mas esquecido também? não sei, dei-me por vencido na meta e promessa de dias melhores. eles virão também... tenho anos pela frente.
esperar pelo incerto é estarrecedor, ainda mais quando você é cravado pela vontade mórbida de acreditar na possibilidade limpa e branca, mesmo trabalhando aos campos da suposição. não se sabe ao certo quando o coração pode ser compreendido, não há tempo programado p'ra permanência jazer na brandura que abraça afável. com braços esbranquiçados e tortos, penso em mais tarde deixar aos ventos o que muito quis. é simplesmente muita coisa p'ra pensar, talvez muita coisa p'ra engolir com destreza tudo de uma vez. será mesmo que almacorpoecoração é vítima párea p'ro que tanto a tirania quis um dia me socar com ferrenho punho? já tinha dito uma vez que não sou esta potência, ao mesmo tempo em que se fazer de vítima é um tanto perturbador. não que eu aceite como um bom samaritano minha virtude suprema diante das coisas, e não que se debruçar com olhos de gato sob a superfície das relações humanas seja um misto vazio e mundano. eu simplesmente não tenho força. talvez esta seja o contrário da falácia que responde ao meu âmago um grito estarrecedor. não tendo a organizar com clareza as muitas coisas quando o coração está mais longe da plenitude do que todo o resto. e afinal, o resto é p'ra se guardar quando açoito o sentimento desiste de si? as palavras doem mais do que qualquer outra coisa, não sou de corpo, não sou o fluxo carnal do muito ser que vibra ao toque na pele. além do mais, o ser humano é falho (p'ra cacete). na procura do que poderia mesclar toda a razão com o sentido supremo do que é fazer-se por onde, enxergo com clareza. a irmandade é capciosa, é uma prosa mal feita que derrota o vigarista, mas não o mata. ela o deixa sangrar até aprender que mãos abertas demais um dia serão atadas. fito com olhos de águia a claraboia, a "clepsidra membranosa" no pântano das muitas coisas. tudo está uma bagunça, tudo não está no seu devido lugar até porque se o ocorrido fosse fato presunçoso face à minha face, eu morreria num vazio abrupto que busca desesperadamente verdadeira mansidão. bate-me uma vontade de gritar cristo por compaixão, ao mesmo tempo em que me bate a lógica de não lhe demandar nada por nada, pois a vida - tão filhadaputamente mais insana e muquirana do que meu outro lado - é dona de si e dona de todos. aceitar este fato é consumo diário p'ro óbvio sentar à sua mesa, cravando a garra autoritária na merdinha que o destino lhe oferece quando a sorte sorri face à sua. morder-se pela tristeza das coisas é pertinente, tenaz, pleonasmo, casa do caralho. o homem age conforme seu interesse e indubitavelmente reage conforme seu esclarecimento. fito mais uma vez com olhos de águia a claraboia, a "clepsidra membranosa". os meses da chuva estão vindo, não há ninguém ("fazer o quê"), o banco está vazio, surpreendi-me pela minha própria criação e a incerteza de um beijo par, enquanto irrito-me com minha sonhadora esperança que última morrerá. eles ainda guardam as rosas; posso ser lembrado mas esquecido também? não sei, dei-me por vencido na meta e promessa de dias melhores. eles virão também... tenho anos pela frente.
14 de outubro de 2012
arco
não estou conseguindo escrever; não estou conseguindo organizar. pareceria franqueza caso diria que este sumo do todo é mera simplicidade. e de fato é, até porque o complexo não bate à porta da rotina e paira sob a cabeça de bom grado. não o quero lá, não pretendo comedir o esforço p'r'aquele que jamais me daria a mão erguida, diante do solo fértil, a suprema possibilidade. a questão é que neste contexto trabalho apenas sob a ótica da suposição. não faço ideia do que possa acontecer, não me foi dada a certeza permanente que regurgita alegria espontânea, ou que me desperte do sono da pureza. a questão é que não respiro como uma montanha respira. infelizmente não sou esta potência, não sou aquele que come a carne, rói o osso esbranquiçado pela natureza do ser e paisagem que profana, e vê navio como quem evoca mudamente a paz nunca proclamada. este todo é pessoal e incerto, é uma prosa que definha vagarosamente na contrapartida nebulosa, que dá prêmio para o coroado não mais santo, e desafina quando pensa que errou o bastante. é por criação? por arte? por chacota que traz ardor pungente àquele que não merece o fato negro na loucura?
perdi a linha de raciocínio.
pensei sobre o caso e o acaso, de que na volta do desejo o véu se incendeie, e no contra-fluxo, pertinente e mordaz, a auréola se cubra de ouro e prata dos amores do passado. o tempo é uma medida perfeita, não deixa passar por completo o foco das muitas coisas, não deixa se corromper por aquilo que se chama de amor, quando na verdade falecida, ou talvez outorgada, a lógica se para inescrupulosamente e se morre no seio do anseio, aflito e açoito em direção cega ao que muito não se sabe, e se abraça como quem consente no berço do infinito. de fato, ligeiro além do tempo não é este sumo do todo, mas a linguagem.
no céu da boca, na prescrição dos sábios homens e das mulheres tiranas, o puritano sempre ama no mais. venha ver, pois a questão aqui no agora é corrompida, não é concreto que se estatele ao tino da correspondência, não é mera mansidão branca e infinda que se reluz no fogo cruzado da esperança morta. sinceramente não faço ideia do que seja, já disse que não sei. não sei até quando a crueldade do poema extrapola o verso que engole a alma em chamas, e a realidade que tanto trucida o espírito evanesce p'ra mais tarde fazer-se dor latente na falta de força. o tempo é rotineiro, compassado. órgão programado p'r'aquele que não pode muito com isso. seria então um quê? um tiro no escuro à procura do caos somente?, sabendo que ele já se existe alhures que desconheço e jamais quero tocar. porém o coração toca inconsciente, com mão de anjo e boca de sereia, na pele que fere.
o que fazer? murmurar cada coisa do espaço imenso p'ra encontrar a sanidade? afinal, na alma do poeta, o que é isto? "desfacelar-me" até que isto seja o incêndio do que sinto? ou simplesmente morrer ao vento e no porto p'r'o silêncio jazer a brandura da remota consciência? de fato, tudo leva a crer que sou eu o mal. trabalhando no campo da suposição, com esguelha remoída em direção ao que me convém, é concluído o tropeço. talvez seja a sina, que puxa com mão de pura maldade à mais profunda derrota do crente, e vocifera no âmago entorpecente um vil e falso santo de reminiscências. talvez seja o peso do universo que não me diz adeus alto o bastante p'ra eu ouvir, e que se finge de vivo porém dormente p'ra me fazer crer que não pode ser tão ruim assim, que ainda há crença na beleza oculta do que virá, incerto e amorfo. se eu ressuscito aqui no agora por facção ou mero litígio de minha desistência, é porque não sei se devo acreditar na criação do que minha mente vomita ou devora de vez. isto é meu e só eu deveria saber. talvez mais tarde eu poderei saber, agarrar com o corpo que cai oblíquo sob o cuidado do menino que se importa e comporta, que cuida, que chora.
e na repetição, o que fazer? permanecer neutro nesta vida que é de todos mas também de ninguém. permanecer indagado pelo sumo do todo que de soslaio alvejacravaconsentemata a felicidade do inocente e se força na maturidade dos meses. acreditar que na voz daquele que me trucida há a verdade indesejável que sustenta o âmbito dos fatos que trucidam. e acreditar que mesmo que se morra no após, a vida, mais forte que eu, trucida os olhos vermelhos dos que me abnegaram.
sinceramente, do fundo do peito, eu não sei. eu sou louco.
perdi a linha de raciocínio.
pensei sobre o caso e o acaso, de que na volta do desejo o véu se incendeie, e no contra-fluxo, pertinente e mordaz, a auréola se cubra de ouro e prata dos amores do passado. o tempo é uma medida perfeita, não deixa passar por completo o foco das muitas coisas, não deixa se corromper por aquilo que se chama de amor, quando na verdade falecida, ou talvez outorgada, a lógica se para inescrupulosamente e se morre no seio do anseio, aflito e açoito em direção cega ao que muito não se sabe, e se abraça como quem consente no berço do infinito. de fato, ligeiro além do tempo não é este sumo do todo, mas a linguagem.
no céu da boca, na prescrição dos sábios homens e das mulheres tiranas, o puritano sempre ama no mais. venha ver, pois a questão aqui no agora é corrompida, não é concreto que se estatele ao tino da correspondência, não é mera mansidão branca e infinda que se reluz no fogo cruzado da esperança morta. sinceramente não faço ideia do que seja, já disse que não sei. não sei até quando a crueldade do poema extrapola o verso que engole a alma em chamas, e a realidade que tanto trucida o espírito evanesce p'ra mais tarde fazer-se dor latente na falta de força. o tempo é rotineiro, compassado. órgão programado p'r'aquele que não pode muito com isso. seria então um quê? um tiro no escuro à procura do caos somente?, sabendo que ele já se existe alhures que desconheço e jamais quero tocar. porém o coração toca inconsciente, com mão de anjo e boca de sereia, na pele que fere.
o que fazer? murmurar cada coisa do espaço imenso p'ra encontrar a sanidade? afinal, na alma do poeta, o que é isto? "desfacelar-me" até que isto seja o incêndio do que sinto? ou simplesmente morrer ao vento e no porto p'r'o silêncio jazer a brandura da remota consciência? de fato, tudo leva a crer que sou eu o mal. trabalhando no campo da suposição, com esguelha remoída em direção ao que me convém, é concluído o tropeço. talvez seja a sina, que puxa com mão de pura maldade à mais profunda derrota do crente, e vocifera no âmago entorpecente um vil e falso santo de reminiscências. talvez seja o peso do universo que não me diz adeus alto o bastante p'ra eu ouvir, e que se finge de vivo porém dormente p'ra me fazer crer que não pode ser tão ruim assim, que ainda há crença na beleza oculta do que virá, incerto e amorfo. se eu ressuscito aqui no agora por facção ou mero litígio de minha desistência, é porque não sei se devo acreditar na criação do que minha mente vomita ou devora de vez. isto é meu e só eu deveria saber. talvez mais tarde eu poderei saber, agarrar com o corpo que cai oblíquo sob o cuidado do menino que se importa e comporta, que cuida, que chora.
e na repetição, o que fazer? permanecer neutro nesta vida que é de todos mas também de ninguém. permanecer indagado pelo sumo do todo que de soslaio alvejacravaconsentemata a felicidade do inocente e se força na maturidade dos meses. acreditar que na voz daquele que me trucida há a verdade indesejável que sustenta o âmbito dos fatos que trucidam. e acreditar que mesmo que se morra no após, a vida, mais forte que eu, trucida os olhos vermelhos dos que me abnegaram.
sinceramente, do fundo do peito, eu não sei. eu sou louco.
31 de agosto de 2012
20 de agosto de 2012
artigo 115
"se alguém desaparece de sua residência, e não se tem notícias dela durante quatro anos, as partes interessadas podem pedir ao tribunal civil para reconhecer oficialmente a ausência de tal pessoa. o amor é válido apenas em um período pré-revolucionário.
nem todas essas garotas amam você, seu mentiroso!
as artes nascem, crescem, e desaparecem, porque pessoas insatisfeitas ultrapassam o mundo das expressões oficiais e vão além de seus festivais de pobreza."
14 de agosto de 2012
torpor jamais
não consigo contar a história completa. ando muito compenetrado no receio de não poder mais com o amor, quando este me engole por inteiro no avanço abrupto da trama. não é um silêncio que afaga, ou talvez na contrapartida do desejo perene pelo ser - amado - uma súbita angústia derradeira. creio que não haja mais o medo de isto ser perdido, ou de se perder no véu da mantilha por um ato comedido ao meu coração em balanças. aqui no peito guardo o calor rubro que ainda me convém, esperando a cumplicidade dos atos afáveis à minha antiga certidão sentimental, e pondo-me no lugar em que a relva não oculta as mãos ensandecidas. eu quero atar-me ao que de bom grado é dado à minha alma, enquanto tomo na certeza o carinho pedagógico, e de lá faço medidas preventivas.
está muito claro que se espairecer seja um sumo de virtudes, quando aqui na câmara o amor se distrai, de barro e cimento se constrói a fortaleza dos seres. o cristo quis que eu amorfo ressuscitasse da cinza, da humildade para com minha própria força prevalecente, e do falso sermão para com a erudição dos sentimentos. não que minha boca esteja dura, ou que o torpor se torne algo reluzente ao quente coração; eu apenas não sei descrevê-lo em plenitude; balbucio uma palavra à criatura e somente a incerteza de uma verve se debruça onde escureço. no fogo cruzado, no mais de um menos indigente, inaugura-se o nome daquele que se morre entre a superfície e o âmago; e no fato das demoras, triviais e aflitas, torno-me translúcido ao banal que trina meu coração intransigente.
não que eu saiba o muito de uma certa displicência. na boa verdade, eu sei nada. no ofício de um amor constante, sentimental não é aquele que austero perdura, muito menos aquele que denota na infelicidade, na inflexão ao outorgar dos valores, um incompleto abraço. sinceramente, não tenho o dom de fincar os pés à superfície das coisas, do plano terreno e material, do precipício imundo de incríveis razões. é errado sentir muito?, querer no muito tudo aquilo que me completa perfeitamente?, ter no coração apenas o flanco que quando incorpora, se lambuza? cravo-me ao mundo, então, para amar com sabedoria. escrevo, apenas, os detalhes brancos, com um vasto vexame em pequeno e perpétuo sangue.
Assinar:
Postagens (Atom)
