31 de agosto de 2012

20 de agosto de 2012

artigo 115

"se alguém desaparece de sua residência, e não se tem notícias dela durante quatro anos, as partes interessadas podem pedir ao tribunal civil para reconhecer oficialmente a ausência de tal pessoa. o amor é válido apenas em um período pré-revolucionário.

nem todas essas garotas amam você, seu mentiroso!

as artes nascem, crescem, e desaparecem, porque pessoas insatisfeitas ultrapassam o mundo das expressões oficiais e vão além de seus festivais de pobreza."

14 de agosto de 2012

torpor jamais

não consigo contar a história completa. ando muito compenetrado no receio de não poder mais com o amor, quando este me engole por inteiro no avanço abrupto da trama. não é um silêncio que afaga, ou talvez na contrapartida do desejo perene pelo ser - amado - uma súbita angústia derradeira. creio que não haja mais o medo de isto ser perdido, ou de se perder no véu da mantilha por um ato comedido ao meu coração em balanças. aqui no peito guardo o calor rubro que ainda me convém, esperando a cumplicidade dos atos afáveis à minha antiga certidão sentimental, e pondo-me no lugar em que a relva não oculta as mãos ensandecidas. eu quero atar-me ao que de bom grado é dado à minha alma, enquanto tomo na certeza o carinho pedagógico, e de lá faço medidas preventivas.

está muito claro que se espairecer seja um sumo de virtudes, quando aqui na câmara o amor se distrai, de barro e cimento se constrói a fortaleza dos seres. o cristo quis que eu amorfo ressuscitasse da cinza, da humildade para com minha própria força prevalecente, e do falso sermão para com a erudição dos sentimentos. não que minha boca esteja dura, ou que o torpor se torne algo reluzente ao quente coração; eu apenas não sei descrevê-lo em plenitude; balbucio uma palavra à criatura e somente a incerteza de uma verve se debruça onde escureço. no fogo cruzado, no mais de um menos indigente, inaugura-se o nome daquele que se morre entre a superfície e o âmago; e no fato das demoras, triviais e aflitas, torno-me translúcido ao banal que trina meu coração intransigente.

não que eu saiba o muito de uma certa displicência. na boa verdade, eu sei nada. no ofício de um amor constante, sentimental não é aquele que austero perdura, muito menos aquele que denota na infelicidade, na inflexão ao outorgar dos valores, um incompleto abraço. sinceramente, não tenho o dom de fincar os pés à superfície das coisas, do plano terreno e material, do precipício imundo de incríveis razões. é errado sentir muito?, querer no muito tudo aquilo que me completa perfeitamente?, ter no coração apenas o flanco que quando incorpora, se lambuza? cravo-me ao mundo, então, para amar com sabedoria. escrevo, apenas, os detalhes brancos, com um vasto vexame em pequeno e perpétuo sangue.