27 de dezembro de 2011



monet.

facção 1

concentrando-me na vasta amplidão de um som que desconheço, organizo o pensamento pra mais tarde fazer-se devaneio. de fato, nada acontece quando eu mais espero. eu estou sentado neste banco e me pergunto sobre tudo - a real volúpia que o outrora homem de verdade esconde, a saia amarrotada das mulheres que mergulham em conversas vertiginosas, a criança que manda dedo para o universo por pura inocência, e o colírio que o deus dará caso eu me comporte nesta contramão. outrora fato (também) é que nem tudo podemos procriar ilusão com olhos um pensamento longínquo atravessado por espadas; às vezes a realidade é tão crua que o mais puritano homem que tu um dia conheceste não consegue dar liberdade afável de criação. está tudo nu, sem prosa ou mero corpo de poema que abençoa o coração como uma flâmula em fria noite, ou um passo largo corretamente calculado na minúcia de um percalço que a vida tarda. eu estou sentado neste banco observando este viés que paira açoito como o fogo cruzado, e se faz perene caso eu desconheça minha própria força, minha própria virtude para acreditar que esperança é uma arma quente, que chama a fé de amiga íntima e reluz brilhante quando se faz de salvador da pátria na suprema escuridão.

porém, de todas as pessoas que conheci nesta vida, lembro-me da figura mítica do amigo perfeito que me dissera com a mão no peito: "a fé é fugaz", e eu me faço intermitente ao entender somente a superfície do que ele verdadeiramente quis dizer. não entendo o significado, não consigo catar obsessão à fria têmpora para compreender com veemência e dizer do fundo da alma: "é isto e pois bem". não estou conseguindo pegar direito, agora mais quando um vento forte bate no meu rosto. está tudo confuso. na verdade, estou traçando um esboço sobre a vida dos que não me convêm, e dos que não foram vistos mas não o querem ser quando sou eu o observador. compreende? não é todo mundo que se compraz, muito menos saboreia o deleite do triunfo de um fim de difícil dia. não somos bons espartanos, não temos ambição ínfima pelo gosto da vitória; o devoto que aqui se faz forte e insano talvez, seja somente a vontade do silêncio que demora, que sinonimamente mimetiza-se a uma paz que desconheço. eu digo de âmago dolorido que "não é assim" pois a vida não me sustenta nas satisfações; meu amigo, "eu não consigo".

tomaras tu um brado de sorte, um feixe de luz branca que jamais poderei conhecer. eu não sou afortunado camarada que corre veloz por este obstáculo da vida, mas faço voto de consenso e me calo comendo fria e inutilmente o pesar que esta me traz. tomaras tu, também, uma vida milionária, faça bom proveito do que possivelmente virá no futuro. abrace com garra o vento que percorre este mar onde me afogo, e me tire daqui. sentado neste banco já perco a linha do pensamento, está mais confuso ainda, mas perante a via da dúvida não indago na demora para ter uma certeza - eu não consigo, "você não acha que eu já tentei?". sentado neste banco reluto para não deixar rolar os olhos, pois torno-me grosso na tua ausência de tolerância e compaixão.

(vocativo desconhecido), eu só peço mesmo um pouco mais de tempo. as pessoas andam a um rumo que desconheço, param de vez em quando para apreciar a vista, e julgam um pouco mais a minha falta de escrúpulo (faltou ponto)