30 de julho de 2012

uma pequena antologia sobre o tempo

"o tempo é o meu grande inimigo, que tumultua a veia transpassada por este horizonte de cães. uma paisagem de anjos, um rio que mui longe deságua na compaixão... não acalmaria. tirando o berço dos corações dos homens loucos, tudo se faria na mais profunda mansidão. gostaria de remanescer sob este corpo são para que eu ainda aprenda mais sobre o que é ser feito por humanidade. a bondade não cogita quando tanto queremos ancorar nossos corações no espaço, e com o passar do tempo - o grande inimigo - o esquecimento se torna o julgamento daqueles que não me convêm. estou passando do tempo em que abordar minha remediação para com a pressa possa ser um suspiro, um raio que veloz almeja a testa na dor da família de pais açoitos, e balbucia uma voz rasteira na contrapartida de minha juventude. estou passando de um tempo atroz para uma vida limpa e branca, que quando regurgita a palavra irremediável no alto da cabeça, se fecha para comedi-la jamais."

"marcou-se então, o tempo que não volta mais. discordo de que o dom da vida me dê o desígnio com pronto feitio, pois no baque sutil da carne e da alma da mudança, eu ofereço a substância. senhor, não estou buscando inspiração entre os atos, muito menos procriando uma falsa expectativa para aquilo que possa muito ser. apenas não quero retirar o manto da batalha sem alguma cicatriz - não vê que é isto que eles chamam de força? (...) replico um quê ao papel, e em represália ele se faz tempo para receber os frutos da minha paciência. afinal, é sempre errado querer mais? e quanto ao tempo? - o grande culpado de nos oferecer mais experiência e menos verve aos olhos."

"(...) e o tempo passa, quando uma antologia sobre a morte do sentimento reluz fugaz, e dá brilho próspero ao que possa remanescer na verdade."