não estou conseguindo escrever; não estou conseguindo organizar. pareceria franqueza caso diria que este sumo do todo é mera simplicidade. e de fato é, até porque o complexo não bate à porta da rotina e paira sob a cabeça de bom grado. não o quero lá, não pretendo comedir o esforço p'r'aquele que jamais me daria a mão erguida, diante do solo fértil, a suprema possibilidade. a questão é que neste contexto trabalho apenas sob a ótica da suposição. não faço ideia do que possa acontecer, não me foi dada a certeza permanente que regurgita alegria espontânea, ou que me desperte do sono da pureza. a questão é que não respiro como uma montanha respira. infelizmente não sou esta potência, não sou aquele que come a carne, rói o osso esbranquiçado pela natureza do ser e paisagem que profana, e vê navio como quem evoca mudamente a paz nunca proclamada. este todo é pessoal e incerto, é uma prosa que definha vagarosamente na contrapartida nebulosa, que dá prêmio para o coroado não mais santo, e desafina quando pensa que errou o bastante. é por criação? por arte? por chacota que traz ardor pungente àquele que não merece o fato negro na loucura?
perdi a linha de raciocínio.
pensei sobre o caso e o acaso, de que na volta do desejo o véu se incendeie, e no contra-fluxo, pertinente e mordaz, a auréola se cubra de ouro e prata dos amores do passado. o tempo é uma medida perfeita, não deixa passar por completo o foco das muitas coisas, não deixa se corromper por aquilo que se chama de amor, quando na verdade falecida, ou talvez outorgada, a lógica se para inescrupulosamente e se morre no seio do anseio, aflito e açoito em direção cega ao que muito não se sabe, e se abraça como quem consente no berço do infinito. de fato, ligeiro além do tempo não é este sumo do todo, mas a linguagem.
no céu da boca, na prescrição dos sábios homens e das mulheres tiranas, o puritano sempre ama no mais. venha ver, pois a questão aqui no agora é corrompida, não é concreto que se estatele ao tino da correspondência, não é mera mansidão branca e infinda que se reluz no fogo cruzado da esperança morta. sinceramente não faço ideia do que seja, já disse que não sei. não sei até quando a crueldade do poema extrapola o verso que engole a alma em chamas, e a realidade que tanto trucida o espírito evanesce p'ra mais tarde fazer-se dor latente na falta de força. o tempo é rotineiro, compassado. órgão programado p'r'aquele que não pode muito com isso. seria então um quê? um tiro no escuro à procura do caos somente?, sabendo que ele já se existe alhures que desconheço e jamais quero tocar. porém o coração toca inconsciente, com mão de anjo e boca de sereia, na pele que fere.
o que fazer? murmurar cada coisa do espaço imenso p'ra encontrar a sanidade? afinal, na alma do poeta, o que é isto? "desfacelar-me" até que isto seja o incêndio do que sinto? ou simplesmente morrer ao vento e no porto p'r'o silêncio jazer a brandura da remota consciência? de fato, tudo leva a crer que sou eu o mal. trabalhando no campo da suposição, com esguelha remoída em direção ao que me convém, é concluído o tropeço. talvez seja a sina, que puxa com mão de pura maldade à mais profunda derrota do crente, e vocifera no âmago entorpecente um vil e falso santo de reminiscências. talvez seja o peso do universo que não me diz adeus alto o bastante p'ra eu ouvir, e que se finge de vivo porém dormente p'ra me fazer crer que não pode ser tão ruim assim, que ainda há crença na beleza oculta do que virá, incerto e amorfo. se eu ressuscito aqui no agora por facção ou mero litígio de minha desistência, é porque não sei se devo acreditar na criação do que minha mente vomita ou devora de vez. isto é meu e só eu deveria saber. talvez mais tarde eu poderei saber, agarrar com o corpo que cai oblíquo sob o cuidado do menino que se importa e comporta, que cuida, que chora.
e na repetição, o que fazer? permanecer neutro nesta vida que é de todos mas também de ninguém. permanecer indagado pelo sumo do todo que de soslaio alvejacravaconsentemata a felicidade do inocente e se força na maturidade dos meses. acreditar que na voz daquele que me trucida há a verdade indesejável que sustenta o âmbito dos fatos que trucidam. e acreditar que mesmo que se morra no após, a vida, mais forte que eu, trucida os olhos vermelhos dos que me abnegaram.
sinceramente, do fundo do peito, eu não sei. eu sou louco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário